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domingo, 26 de abril de 2020

(A) palavra que está na ponta da sua língua


É vasto, perpétuo
É assíduo, doce
É névoa, tempestade
É perdão, compreensão
É encontro a dois, a trois
Cascavel no deserto
Loucura cega
Eu quero ser o D do alfabeto que te domina. Devoção a você, neste momento.
Aquela que você deduz
A carona que você espera numa sexta à noite.
A palavra, o complemento da sua libido
Do seu prazer omitido
Da sua vontade descompassada e do seu olhar desinibido
Do que repousa na sua cama, despida
Aquela palavra maldita e mal dita. Que você não quer pensar, mas que eu sei, querida. Você quer me ouvir dizer.
A mulher que você quer. A mulher que te devora, a mulher que te faz ficar de joelhos. A mulher!
Eu? Ela? Você? Nós? Quem?
Surpresa!
Há um mundo que te submerge, meu bem, e ele te traz direto para minha cama.
Eu sou a santa, inteiramente puritana, moça do lar, mulher prendada, que você apresenta aos pais num domingo
Sou a maldita que está entre suas pernas, no final do dia, no meio da cozinha.
Jantar a mesa, prato La Carte
Você é a sobremesa! Gourmet, feito à mão, esculpida por meus dedos.
Sou a desalmada que você amaldiçoou no final da noite
É um limbo de duas pontas, (m)as que n(o) final você se lembrará pelo (r)esto da vida.


Um comentário:

Ichi-go ichi-e