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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Disritmias de Carnaval


O que goteja não é salubre, é a chuva da quarta de cinzas.

São os ventos do leste soprando a boemia da terça de carnaval, são as cinzas das paixões que arderam e se perderam nos desfiles enigmáticos, cru e nu.

São os beijos de outrora que levaram consigo toda forma puritana dos contos de fadas ou romances franceses.

E todos se esconderam atrás de suas máscaras, há um cabaré nas ruas, orgias gratuitas pagas posteriormente com ressaca moral.

E nós, meu bem, estamos em cartaz, estamos sendo anunciadas nos cinemas podres de são paulo, não há espaço para nós entre os burgueses.

Há um remake de um filme noir dos anos 30 e estamos nele, somos a atração principal, uma história de caos.

Nós existimos, nós nos sustentamos entre décadas de evolução medíocre, nós nos reconstruímos e renascemos em formas diferentes, mas sempre.. Sempre com a mesma boemia e amor.

E enquanto eu fumo, eu vejo seus lábios pintados de vermelho balburdiar; A beleza está no caos, nós somos, nós estamos.

E eu juro, querida... Neste momento eu sou Ares, que aprecia teus conflitos.

Um comentário:

Ichi-go ichi-e