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sábado, 18 de julho de 2026

8



Seu nome tem 8 letras.

Oito em cadência.

Permanente.

A eternidade é subjetiva, amor.

Que dure o tempo que tiver que durar.

Bom pra ti, bom pra mim.

Bonito assim, a eternidade de um dia em paz com você.

De te ver existir e Florescer no concreto das ruas de SP.

Bonito assim, te ver acordar com um fEcho de luz.

Uma aventuRa amanhecer e encontrar seu abraço.

EmaraNhar.

E me perder nas ruas de Salvador com você.

Bonito, suas cicatrizes,
sua história,
seu sorriso,
Seu tom.

BoNito te ver.

Mãe.

Filha.

Amiga.

Amor.

Te admiro nos dias que desbrava e enfrentar o mundo.

Te admiro nos dias que se encolhe nos meus braços e pede colo.

Bonito, Duas iguais.

Não ter receio de ver a pele assim, nua e crua.

Teus olhos, meus olhos, admiram mutuamente.

Bonito como qualquer dia é dia de churrasco ou café.

De vinho ou risoto.

Liniker diria:

SO SPECIAL

Com você.

Oito.

Subjetivo.

A eternidade resumida em ti: BonitA.

"Teus olhos brilham tanto

E a melhor notícia foi viver você" 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Cíclico




Te vejo cair como uma folha de outono,
devagar,
mensurável a queda
é inevitável.

Outras,
te vejo cair densa,
força bruta,
espatifada no chão
e inesperada.
Também inevitável.

De uma forma ou de outra,
a queda fomenta o caos.
Um caos necessário,
porque é só nele
que novas trajetórias ficam visíveis.

Será assim, então?

Tão frágil o ser humano.
Frágil que precisa cair,
denso ou sereno,
para descobrir
o que é fraco
e o que é forte.

Ambíguo.

Além do mais,
descobrir também
que é possível continuar
com um trinco ou dois.

Porque não existe outro caminho,
não é mesmo?
Não existe uma reposição perfeita do que se partiu.
O que foi um dia
jamais voltará a ser,
bom ou ruim.

A criança que perde a inocência.
O adolescente que descobre um coração partido.
Um adulto que corrói o tempo
e desmembra os romances dos anos 2000
em um terror da década de 90 —
indecente,
cru,
feio
e criativo.

O fim nem sempre é surpreendente,
bonito
ou sequer
previsível.

O fim também não é uma queda.

Inevitavelmente,
ele é um novo começo.

Cíclico.



quarta-feira, 15 de abril de 2026

Rachaduras




Resquícios
restaurados,
lapidados,
meses lustrados.
Olhando de perto, as vejo:
rachaduras.
E quanto mais observo,
e quanto mais
o tempo passa,
descubro outras.
Detalhes.
Às vezes, superficiais,
quase invisíveis.
Outras
trincos intrínsecos,
profundos.
E, se tocar, é nítido.
Me apresento ao mundo assim.
Desnuda de perfeição, não a cobiço,
e ouso dizer:
arte abstrata.
Ninguém precisa entender.
Eu sei o quanto doeu,
eu sei o peso,
eu sei a profundidade
O preço
Os calos nos meus dedos denunciam os dias lapidados.
Não espero caber no bolso ou sonhos de ninguém.
Incomprável.
Não tenho o menor interesse em agradar a todas as retinas que me observam.
Sei também que
nem todos os dias têm sol.
Interessa-me quem fica
quando não há plateia,
quando os dias são nublados
ou quando eu só quero me perder
na minha bagunça.
Que veja,
nisso uso o pronome possessivo: meu.
E de lá eu gosto, existe um certo tipo de conforto:
Eu permaneço.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

É só três letras



 



Não

eu não quero mais saber
quantos dias faltam para o inverno

Sequer quero passar os dias
esperando pelo outono

O que eu quero mesmo
é transbordar do que eu sou

Expandir
Descobrir

E desdobrar o tempo
para além do relógio
que carrego no pulso

Quero amanhecer com o sol

E descobrir os tons que desenha o céu

Não

Eu não quero mais ter que me preocupar
se meus passos são rápidos
ou lentos demais

Tenho compasso,
e o que for pra ser
terá ritmo

Lado a lado

Não

Eu não quero ter que dormir cedo
e esconder meus sonhos
em uma gaveta ao lado da cama
e aceitar
que é só o corpo que descansa.

Não,

eu não vou escrever meus sonhos em um testamento:
inapagável, intocável e imutável

Veja,

não sou a mesma Mayara
da semana passada

Deixe o livro aberto

Não ouse me podar

e dizer qual sonho
cabe dentro do meu travesseiro.

Não, eu não quero ter que prestar sempre a mesma queixa

Como poderia?

Se o tempo corre

e na minha mochila
tem tanta coisa minha

Não, eu quero nenhum pesar
por minhas cicatrizes,
por minhas dores
e meus traumas

Nada disso

Deixa aqui comigo,
é meu,
tem valor

e quero ouvir com atenção
o recado da vez

Não, eu não quero essa cara séria todos os dias

E o tédio de sustentar
ser a adulta da vez
7x na semana
e 12 horas ao dia.

Então me deixe aqui

correndo descalça e despretensiosa,
sem medo do tempo,
ou das marcas que vão se formar no meu rosto

Deixe que seja
Deixe que venha

Deixa que eu tempo contorne

E esqueça a ausência de esperar

porque ela é a coisa mais bonita que eu já vi,

Você mesma; minha criança.

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Nuvens


E se eu te desenho assim
nas mesmas nuances das nuvens

Te admiro
porque tua forma é modular

Tu se reinventa

Às vezes parece tão abstrato
e eu fico aqui,
te olhando por horas,
pensando
com qual forma tu se parece

E se não parecer?
E se não for?

Reconheço tua beleza
Tuas fases

E hoje te permito discorrer
por esse olhar
que te abraça
te acolhe
e diz:

Só é

Amanhã o dia nasce
e te contorno
sem rótulos

Não ser para o outro
Ser para nós
Ser eu

domingo, 30 de novembro de 2025

Jazz

 


Cadência.

Menina,
Seu ritmo é tão Jazz.
Te ouço e é calma.
O que corre são as horas.

Compassado:
Teus lábios,
Suas mãos —
Mas são teus olhos
Que me devoram primeiro.

Entalhado,
Não sou mais turista
Em tuas curvas.

Um esboço de ti em tela,
Conheço seu corpo em arte,
Cada tatuagem.

Poderia dizer
Que tuas marcas formam constelações:
Gêmeos
E Câncer.

Gosto do seu tom:
De dia com o mundo,
A noite comigo.

Âmago.

Gosto do sabor
Do seu tabaco com rosé,
Do tom vermelho
Que só os teus cabelos tem.

E por falar em tom,
Gosto do som
que existe
Quando tem eu e você.

Mas o que eu amo mesmo
É desse lugar
Que coexistimos
E que podemos nomear de
Paz.