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domingo, 26 de abril de 2020

Distopia


Ouvi com atenção, o que você me dizia com tanta paixão; meu amor, é uma questão de tempo
É sempre uma questão de tempo, você dizia
Enquanto tu me dizias isso, mulher. Eu olhava para o relógio, para os pássaros que voavam para longe do ninho, cruzando o leste, encontrando a liberdade
Meus olhos te atravessavam, e eu... Eu me perguntava; por Deus, quanto tempo mais?
Quanto tempo para te deixar?
Ou para rolarmos na cama?
Quanto tempo para te jurar amor?
E em quanto tempo, vamos nos ferir, sangrar, e nos deixar?
Quanto tempo, até que tu possas ver minha carcaça? Simplória e imoral
Quanto tempo até o desencontro de nossos prazeres?
Quanto tempo até seu riso sair mastigado de magoas?
É tempo de outono, e logo estaremos no inverno, eu volto no verão?
Eu conto tempo, ampulheta mergulhada e perdida no espaço-tempo
E eu penso nisso, nisso tudo enquanto você me olha com esses olhos de amor e me diz novamente; tudo em seu tempo....
 Meu bem, meu tempo é agora, estamos fadados ao não sucesso, e por isso te deixo, te deixo não por não amor, mas porque meu amor é maior que o tempo, e os contratempos que nos arruinara.
Deixe-me com essa lembrança boa tua
Deixe-me nesse tempo bom, aonde me esqueço nos seus braços e você afaga meus cabelos
Deixe-me com esse tempo, que você me beija, tênue
Deixe-me com esse tempo, que eu te abraço, e você se entrega ao nosso prazer
Deixe-me com essa lembrança do teu corpo marcado pelo sol, marcado por meus lábios
Deixe-me com lembrança boa, aonde seus devaneios se funde a minha loucura
Deixe-me com essa lembrança boa, aonde eu te recito Garcia Lorca, enquanto fumo meu último cigarro
Deixe-me com essa lembrança boa, do teu grito abafado em meu ouvido
Deixe-me com essa lembrança boa, de todas as vezes que beijei seu sorriso
Deixe-me com esse tempo, que te olho e você jura; teremos mais tempo...
Amo-te nesse tempo e amarei tua lembrança. Ha uma marca no mundo, do teu riso e meu contento, e de mim, que no meio da minha sujeira te amei tão puramente.
Deixe-me...



Um comentário:

Ichi-go ichi-e