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domingo, 21 de setembro de 2025

Cabide


 Inércia

O abismo entre muito e nada.
Duas linhas verticais que se encontram
Um nó que desata
O universo em movimento

Desapego

Ontem é passado
e quando eu terminar esse texto voilà: Passado

Cíclico, a primavera vem.
“um momento, um encontro” –
A beleza e singularidade do presente,
nada nunca será o mesmo,

nem aquele prato que tu preparou,
nem você,
nem eu,
tudo em movimento.

Aquele casaco, um dia, foi meu favorito – Hoje, deixo ir.
Tenho novos casacos para descobrir.

Concordo com Belchior: o passado é uma roupa que não nos serve mais.

E como posso me vestir de tu?
Se os teus tecidos não me cobrem?

Não posso e nem vou
não me diminuir
para caber em tuas calças, menina.

Não posso e nem vou,
calçar teus sapatos.

Me contento com o ser,
e com tudo que tenho.

“Perder-se também é caminho.”

O peso esmagador de tanto
e agora o pulsar de nada.

Não, não estou escondendo
as roupas velhas em caixas,
esperando que algum dia elas me sirvam.

Não, não mesmo!

Agradeço o tempo de acolhimento
mas confesso;

Me desfiz,
e agora nua,
vejo mil e uma possibilidades.

Uma blusa?
Uma calça?
Por que não um shorts?
Pode ser aquele suéter também.

Tenho tempo,
tenho paciência
e veja bem:

agora,
quando não me servir
eu não vou insistir,
eu não vou comprar possibilidades
ou potencial.

Compro apenas
o que me veste bem
e inteira.

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