Inércia
O abismo entre muito e nada.
Duas linhas verticais que se encontram
Um nó que desata
O universo em movimento
Desapego
Ontem é passado
e quando eu terminar esse texto voilà: Passado
Cíclico, a primavera vem.
“um momento, um encontro” –
A beleza e singularidade do presente,
nada nunca será o mesmo,
nem aquele prato que tu preparou,
nem você,
nem eu,
tudo em movimento.
Aquele casaco, um dia, foi meu favorito – Hoje, deixo ir.
Tenho novos casacos para descobrir.
Concordo com Belchior: o passado é uma roupa que não nos serve mais.
E como posso me vestir de tu?
Se os teus tecidos não me cobrem?
Não posso e nem vou
não me diminuir
para caber em tuas calças, menina.
Não posso e nem vou,
calçar teus sapatos.
Me contento com o ser,
e com tudo que tenho.
“Perder-se também é caminho.”
O peso esmagador de tanto
e agora o pulsar de nada.
Não, não estou escondendo
as roupas velhas em caixas,
esperando que algum dia elas me sirvam.
Não, não mesmo!
Agradeço o tempo de acolhimento
mas confesso;
Me desfiz,
e agora nua,
vejo mil e uma possibilidades.
Uma blusa?
Uma calça?
Por que não um shorts?
Pode ser aquele suéter também.
Tenho tempo,
tenho paciência
e veja bem:
agora,
quando não me servir
eu não vou insistir,
eu não vou comprar possibilidades
ou potencial.
Compro apenas
o que me veste bem
e inteira.
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