Vai
Vai em paz, que as expectativas desse amor já não nos cabem
mais.
Vai,
a porta sempre esteve aberta
e você sempre esteve na janela.
Vai,
encontra teu caminho, tua verdade,
cultive sua terra e cure seus espinhos, desejo a ti um mar de lírios.
Repito mil vezes o verso de Caio.
Não,
não aquela de 50 anos.
Mas aquele que hoje nos cabe:
“nem você, nem eu somos descartáveis
e amanhã tem sol.”
Então vai.
Porque semana que vem eu não sei,
mês que vem não planejo
tudo que eu sei é que ano que vem é 2026.
Então vai.
Carregue seu peso, ele é teu e de mais ninguém.
Não esquece,
sua sombra um dia também fará parte do seu descanso.
Então vai.
Olhe-se com amor e cuidado
porque quando tu olha de perto, reconhece.
E quando reconhecer,
terá uma lanterna no bolso.
Então vai.
A vida nos chama,
tem muito pra viver.
Cazuza tinha razão
quando disse que o tempo não para.
Então vai.
Que se não foste tu meu grande amor
nem eu o teu,
que fique de aprendizado o que nos feriu
— e os bons momentos, de régua.
Então vai.
E jamais aceite menos amor,
menos cuidado,
menos parceria,
menos risada,
menos.
Tu merece, e eu também.
E, menina,
os teus cacos que me feriram também me ensinaram:
nem tudo é como a gente quer,
mas se você se tem, então já tem muito.
Um beijo.
P.S. the sun will still shine when we leave.
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