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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Vidro

 


Me pergunto qual parte tua eu perdi na reforma.
Ou... será que agora, com a casa arrumada,
Descobri um tom de azul mais claro e um vermelho mais alaranjado?

Quando que o silêncio se tornou intrínseco?
E as palavras mais espaçadas?
Logo nós, que tivemos dias cheios,
E a ausência não era dolorida –
Porque, em alguns fragmentos do dia, havia a ternura do seu olhar em mim, do meu em ti.

E por que agora me pego sentada na esquina da vida,
Esperando tua hora de passar?
É doloroso admitir, olhar de perto,
Ver o “nós” diluído, ímpar.

Veja bem, eu sou paciente, meu bem.
Não tenho pressa de costurar os remendos.
Não tenho vergonha do que em mim é feio, porque, como dizem: de perto, todo mundo é louco e feio mesmo.
Mas não posso – e não vou – remendar os seus retalhos.

Mútuo.
Tudo foi mútuo.
O amor floresce no detalhe – e nós o fizemos tão bem.

Te amei por isso.
Te amei pelo cuidado e abraço, não só o físico, mas sobretudo, por todos que me entregou quando estava distante.
Te amei no marcar das horas e na ausência delas.
Te amei no ser, porque éramos sem esforço, sem rodeios.
Te amei por me ouvir sem julgar exagero ou banalidade o que eu sentia — porque nunca foi.
Te amei pelo acolhimento.
Pelas cartas e bilhetes.
Te amei pelo jantar inesperado de uma segunda qualquer, pelas frutas que você escolheu com carinho.
Te amei pela playlist que fez com as minhas músicas.
Por lembrar de cada uma das minhas coisas favoritas.
Te amei pelo café da manhã que preparou, pelo colo.
Por aquele beijo no meio da semana.
Te amei por todos os planos que me incluiu.
Te amei 
Vi tantas flores em você, em nós.
E te levo com amor porque te amar também foi uma forma de me amar.

Que me perdoem os amores líquidos, mas não sei amar no raso.

Se bem que não...

Não me perdoem — porque é preciso ter coragem para amar com profundidade.

E como diz Jaloo: Te amei (amo).

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