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domingo, 13 de abril de 2025

De Ser, De Ti, De Nós


Eu tive medo de você, garota, desde o instante que te reconheci.
Eu tive medo.
Medo da entrega.
Medo do tempo.
Medo de ter medo.
Medo.

Eu quis tanto que fosse você.
E de novo tive medo.
Quando te beijei, tive mais medo ainda.
Era oficial.
Anunciado no jornal.
Eu estava rendida.
Completamente tua.
Nua.

E, despercebida, numa quinta, me despi do medo de ser.
Me despir pra ti foi fácil.

E dentro daqueles metros quadrados,
eu não tive medo de dizer o quanto amava seus olhos,
sua boca,
você.

Não tive medo de te agarrar no meio da noite e me esquecer em você.
Não tive medo de te pedir carinho nas costas,
de te contar os meus receios, de te pedir colo e deitar nos seus seios.

Não tive medo de ficar para o café,
de te mostrar meu prato favorito
e de partilhar contigo banquetes.

Na simplicidade do que tínhamos,
a gente tinha muito.

E depois,
já não tive medo dos planos.
E se tu me chamasse,
eu ia daqui até o Paraguai a pé.

Eu não tive medo porque era você.
Eu tive medo porque era você.

E, no fim,
o medo do medo nos levou daqui.

E depois de tanto medo,
não existe mais lugar para medo.
Só uma vontade absurda de ser.
Sem medo.

E quem me dera ter-lhe conhecido assim,
tão minha,
tão inteira e sem medo de ser.

Mas como dizem:
tem gente que é da vida,
e tem gente que é pra vida.

Mas poxa vida,
eu quis muito que fosse você.

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