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sábado, 22 de março de 2025

Retalhos




Te vejo em retalhos.

Desfragmentação.
A diluição do tempo em doses homeopáticas de cura.

Sinto o gosto amargo do partir.
Observo de longe um império ruir e me pergunto: quanto tempo para reconstruir esses muros?
E quando conseguiremos colocar portas e janelas bonitas?
Em quanto tempo a decoração ficará pronta?
E depois de tudo, quanto tempo levará até conseguirmos receber um convidado?
A ideia de abrir a porta agora é distante, oca e sem sentido.

No passar das horas, o tempo é só mais um vilão esquecido ouvindo Tom Waits
E, como dizem, o tempo não é relativo?
Barbour, disse que o tempo é uma ilusão, que o universo é feito apenas de diferentes "agoras" desconectados.


Desfragmentando! Como Bauman e tantos outros. Como eu.

Observar e sentir.
Remoldurar lembranças, colocá-las em quadros ou guardá-las em caixas?
Ressignificar palavras, cantos e objetos.
A guerra mais brutal é aquela que acontece em silêncio.

Te desfragmento, me desfragmento.
Somos novas em roupas velhas.
Em breve, seremos remendos no casaco uma da outra.
Cicatrizes são únicas.
E há uma beleza imensurável nas entrelinhas do amor.
No meio dos escombros, meu bem, sempre florescem coisas bonitas.
Não te esqueças. Eu não me esquecerei.

E pra que perder tempo contando tempo?

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