Eu quero e de tanto querer, eu já não sei se quero
E não é por ti, mulher. Que devora minha carne crua.
É por mim, que te
assiste me mastigar tão lentamente e é belo, devo admitir
Sirva-te em abundância desse corpo exposto, marcado, que
você contempla e se encontra com tanta maestria
Veja bem, eu não me importo com sua conveniência, com seus
caprichos, com seus desejos, nem que me queira a meia noite, ou ao pé da cama,
da letra, do verso escrachado, e até escondido.
Eu sou o amor, o prazer diluído, o mar que você não se
afoga, a maré que te traz de volta, é sempre meia volta e volta e meia você
retorna.
Eu não me importo com
o seu prazer sujo, com suas juras ou a que horas você abrirá a porta. Eu não
quero esse seu penar. Eu não quero suas justificativas, teu querer inibido.
Não quero, por Deus, mulher.
Porque sinceramente eu só me importo com o que está submerso
em ti, esse seu lado, sacana, imoral, que você acha que esconde tão bem.
Meu bem, não me leve a mal, eu não quero muito, eu não quero
suas omissões, suas dúvidas, ou a busca de um verso bonito para enfeitar
domingos
Eu te quero nua e sem vestígios de culpa, quero sua
sacanagem com meu nome.
Porque no final, querida. Eu devoro sua carne doce e crua,
tão quanto você devora a minha.
Não vê? Somos a
escória, nos sustentamos e você está empregada em mim tão quanto eu estou em
você.
Micróbios famintos, eu e tu, é lindo
QUE TEXTÃO DA PORRA
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