Degenerados, filhos sem pátria.
O tempo te submerge, meu bem.
Ele impõe, apresenta, destrói, corrói e reconstrói—
numa tela em preto e branco.
No deserto de Dalí,
nós, girassóis de Van Gogh,
nos fragmentos de Frida,
há tanto para ver.
E veja como eu vejo.
Veja como tu vias há três anos. Há cinco. Há quinze.
Paredes de cimento, olhos castigados.
Cinza. Neutro.
As cores se desbotam.
A utopia dos grandes reinos.
Castelos inteiros ao chão.
A máscara cai.
Lentamente, um rosto se revela— frígido, cansado, envelhecido.
Marcas do tempo, do relógio que não para.
Quantas paisagens se perderam?
Quantos rabiscos já não fazem sentido?
Quantas juras de amor eterno?
Quantas fodas?
Quantos corpos?
Quantos planos?
Quantos sentimentos?
Quantos lugares?
Quantos? Quando?
Para onde? Onde estão?
Engavetados.
Empoeirados.
Perdidos.
Sujos.
Obscenos.
Segredos contados ao travesseiro.
A noite te vê nua.
Fratura exposta.
C'est la vie, mon amour.
E nela, e por ela—nômades.
Não há lar.
O mundo precisa descobrir vc. Linda
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