Eu e minha dor, jogamos baralho. Partilhamos um cigarro
vagabundo, juntas apreciamos goles amargos de qualquer bebida barata, depreciamos
o homem aritmético,
abusamos de niilismo.
Eu e minha dor, vagamos de mãos dadas pela Augusta e há quem
diga que nos viu ali, nos becos escuros, e quando a madrugada chega, e as putas e vagabundos estão jogados no submundo, eu á encaro no espelho,
embriagada.
-Não! Lhe digo.
Não permito que sente-se comigo, que acabe, e desmonte-me em
pequenos pedaços, pequenos fragmentos ilusórios de um mundo promíscuo.
Em meu quarto com as luzes apagadas, junto a minha ressaca
moral
Ela soa-me, rouca, degustando letra por letra, demasiadamente lenta;
- Sou o que tu és, fodo o normativo, sou você, que fere, destrói.
Acordo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Ichi-go ichi-e