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domingo, 5 de abril de 2015

Implodir.

Eu e minha dor, jogamos baralho. Partilhamos um cigarro vagabundo, juntas apreciamos goles amargos de qualquer bebida barata, depreciamos o homem aritmético, abusamos de niilismo.
Eu e minha dor, vagamos de mãos dadas pela Augusta e há quem diga que nos viu ali, nos becos escuros, e quando a madrugada chega, e as putas e vagabundos estão jogados no submundo, eu á encaro no espelho, embriagada.
-Não! Lhe digo.
Não permito que sente-se comigo, que acabe, e desmonte-me em pequenos pedaços, pequenos fragmentos ilusórios de um mundo promíscuo.
Em meu quarto com as luzes apagadas, junto a minha ressaca moral
Ela soa-me, rouca, degustando letra por letra, demasiadamente lenta;
- Sou o que tu és, fodo o normativo, sou você, que fere, destrói.


Acordo.

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