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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Isso também passará.

 



Verão

Exposta no calor intenso do sol,
senti a minha pele queimar.
Ainda agora, olhando para as marcas,
sinto apreço e respeito.
São bonitas, sabe?

Outono
Recolhi as folhas secas do chão.
Reconheci a inteireza de um espaço
que é meu,
sempre foi,
tomo posse.

"Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz
"

Aprendi a olhar com profundidade
e, depois de 

observar por horas,
não foi só meu cabelo que cresceu.

O meu amor,
acolhimento
e paz
puderam transbordar
para além dos galhos quebrados
e folhas secas.

Reconheci meus olhos escuros
e o contorno dos meus lábios.
Essa mulher sou eu,
inteira.

Inverno
Quando o vento intrínseco chegou
e a tempestade veio sem avisar,
eu entendi o porquê do verão e suas marcas,
do outono e sua inteireza.

Aqui, no meio da chuva,
recolho meus cacos.
Não mais com desespero
ou ânsia para encontrar o sol.

Observar com profundidade
me ensinou a encontrar o caminho de volta para casa
e, independente da neblina,
tenho pés firmes
e muito axé.

Observo a bagunça
e me permito chorar pelo que foi dilacerado.
E se tem tempestade: Odoyá.

Ressignificar os destroços.
Leve o tempo que for.

Com calma e gentileza,
pego minha mão

e me entrego amor,
carinho
e o cuidado que mereço.

Me respeito
e respeito minha entrega,
minha dor e meu tempo,
minha história.

Me permito descansar
e deixar ir as expectativas
de um amor que não foi,
dos planos, das viagens,
do desejo de dividir um lar tranquilo.

Deixo ir,
sem o peso do rancor
ou do que poderia ter sido.

Primavera
Cultivo minha terra
para que novas flores
possam florescer.

"Quem falou que eu ando só?
Nessa terra, nesse chão de meu Deus.
Sou uma, mas não sou só."

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