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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Des(construção)

 




Sou tudo que um dia esteve em pedaços

Sou formas novas que o tempo esculpiu.
E o meu amor são flores que insistem em nascer,
como aquelas que brotam
nas brechas do concreto da cidade.

Confesso:
precisei reaprender a ler o amor —
eu, que por tantos anos
o vi como um prêmio a se ganhar
após uma luta árdua.

Em um dia de outono,
o vi chegar tênue e vagaroso.
Duvidei da sua calmaria.
Me armei
e esperei por uma guerra
que, a princípio, não veio.

E quando veio,
precisei virar a página
e reescrever.

Ressignificar, como esse texto.

Aprender a sentar na grama
e contemplar a paisagem.
Aprender a sentir paz.
Aprender a permitir
que também cuidem de mim.

Aprender que o amor não tem urgência.
Aprender que o amor é soma.
Que é espaço seguro onde seus sentimentos são respeitados,
e nenhuma dor é diminuída.
Aprender que o amor
não te coloca em posição de dúvida.

Aprender a ser vulnerável
e sentir o que tiver que sentir,
sem culpa.

Aprender que a minha força
também é a minha sensibilidade.
Aprender a ser inteira
e não me quebrar para caber.
Aprender a ouvir.
Aprender a me posicionar com delicadeza.

Aprender que o amor
é muito mais que dias de sol,
euforia e chocolate quente.
O amor também é sobre dias nublados.
Sobre escutar, perdoar e pedir perdão.
Sobre acolher.
Sobre ser, todos os dias, uma escolha mútua.

O amor é disposição,
respeito
e parceria.
O amor é a rotina de um domingo.
É um abraço apertado no meio do dia.
É a troca de sorrisos
e a inteireza de um café da manhã na cama.
É sobre dividir o seu sorvete favorito.

É sobre zelar pelo sentimento do outro.

O amor mora nos detalhes —
antes de ser do próximo
tem que ser nosso.

Então,
depois de horas pensando em ser uma tela em branco,
eu não desejo apagar
nenhuma parte do que fui,
nenhuma dor ou decepção que me atravessou.
Nada do que sou hoje,
e do que espero ser amanhã.

Porque em mim
sempre existirá a capacidade de amar.
E, a cada tropeço,
me levantar —
e entregar o meu amor mais completo.
Tudo que eu oferecer ao outro
continua sendo meu.

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