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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Um café com Lorca.

Oh lábios! Lábios de cereja, como diria García Lorca. Aqui, nos motéis vagabundos de São Paulo, eu procuro um papel, qualquer coisa, preciso te escrever, estou embriagada! Embriagada de saudades. Neste lugar, onde se ouvem gritos, gemidos, o ápice do pudor, eu tenho cigarros vagabundos, inalo boemias falidas, com doses de conselhos sinceros que marcam a alma, riscam a pele, fazendo lembrar do quão âmago sou. Escuto a chuva que ecoa forte, que grita seu nome. E aqui, deste apartamento imundo, não existe céu, não existe paisagem. Vejo apenas paredes manchadas de nomes, entrelinhas, é tudo que eu deveria ver. Neste quarto abafado, mal consigo respirar, mal consigo andar, me libertar. E penso em você, que vaga no mundo aberto. Não penso em você, ou penso? Porque eu te amo mais que minha própria alma.

3 comentários:

  1. "Porque te amo mais que minha própria alma" <3

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  2. A última frase me decepcionou, mas a construção...
    A forma crua e realista com que retrata um sentimento.
    Tira o fôlego.

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