sábado, 13 de abril de 2013
Noites e mais noites.
O cinzeiro acumulou restos de um maço de cigarros dissipados. Pelo quarto bagunçado, latas de cerveja vazias espalhadas. E sobre a mesa, uma garrafa de conhaque barato pela metade. Repetidamente, o rádio ecoa os versos:
“E um erro assim tão vulgar nos persegue a noite inteira, e quando acaba a bebedeira, ele consegue nos achar...”
Eu lembro claramente do seu rosto, lembro-me de cada palavra dita e de cada sorriso que me deu, quando a noite ainda começava, quando ainda havia lucidez na minha loucura. Lembro-me do bar escuro, lembro-me do banheiro sujo, lembro de me olhar no espelho com os olhos, alma, corpo e coração embriagados e me perguntar que diabos estava fazendo. Lembro-me de tudo e esqueço-me do que deveria lembrar.
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Ichi-go ichi-e