Te vejo cair como uma folha de outono,
devagar,
mensurável a queda
é inevitável.
Outras,
te vejo cair densa,
força bruta,
espatifada no chão
e inesperada.
Também inevitável.
De uma forma ou de outra,
a queda fomenta o caos.
Um caos necessário,
porque é só nele
que novas trajetórias ficam visíveis.
Será assim, então?
Tão frágil o ser humano.
Frágil que precisa cair,
denso ou sereno,
para descobrir
o que é fraco
e o que é forte.
Ambíguo.
Além do mais,
descobrir também
que é possível continuar
com um trinco ou dois.
Porque não existe outro caminho,
não é mesmo?
Não existe uma reposição perfeita do que se partiu.
O que foi um dia
jamais voltará a ser,
bom ou ruim.
A criança que perde a inocência.
O adolescente que descobre um coração partido.
Um adulto que corrói o tempo
e desmembra os romances dos anos 2000
em um terror da década de 90 —
indecente,
cru,
feio
e criativo.
O fim nem sempre é surpreendente,
bonito
ou sequer
previsível.
O fim também não é uma queda.
Inevitavelmente,
ele é um novo começo.
Cíclico.
Lindo!
ResponderExcluirA forma como você escreve traduz sua visão de mundo de um jeito que, se eu não te conhecesse, estaria morrendo de vontade de sentar para conversar com você.
Como diz aquela máxima: "Todo fim é um começo". Que a vida te presenteie com os mais lindos começos, meios e fins, para que eu possa continuar sendo agraciada pelos seus textos lindos, linda.