Resquícios
restaurados,
lapidados,
meses lustrados.
Olhando de perto, as vejo:
rachaduras.
E quanto mais observo,
e quanto mais
o tempo passa,
descubro outras.
Detalhes.
Às vezes, superficiais,
quase invisíveis.
Outras
trincos intrínsecos,
profundos.
E, se tocar, é nítido.
Me apresento ao mundo assim.
Desnuda de perfeição, não a cobiço,
e ouso dizer:
arte abstrata.
Ninguém precisa entender.
Eu sei o quanto doeu,
eu sei o peso,
eu sei a profundidade
O preço
Os calos nos meus dedos denunciam os dias lapidados.
Não espero caber no bolso ou sonhos de ninguém.
Incomprável.
Não tenho o menor interesse em agradar a todas as retinas que me observam.
Sei também que
nem todos os dias têm sol.
Interessa-me quem fica
quando não há plateia,
quando os dias são nublados
ou quando eu só quero me perder
na minha bagunça.
Que veja,
nisso uso o pronome possessivo: meu.
E de lá eu gosto, existe um certo tipo de conforto:
Eu permaneço.
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Rachaduras
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É a coisa mais linda ver você descobrindo cada pedacinho seu e cuidando de todos com todo o amor do mundo. Se você é uma arte abstrata, é daquelas que emocionam ao olhar e que despertam as mais lindas sensações.
ResponderExcluirAmo cada uma das suas partes, as que já conheço e as que ainda terei o prazer de conhecer.
PS: Um texto mais lindo que o outro ein, pqp! Não sei lidar com tanto talento.
Amo você inteira.
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