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domingo, 26 de outubro de 2025

Ímpar

 



Atravesso as incertezas
Ímpar.
Eu, que sempre preferi números pares,
aprendi a apreciar o singular.

Sem plural, não existe “EUS”,
e EU é tão bonito de pronunciar.

Mergulho no ímpar —
o ímpar de um sorriso,
de um café pela manhã,
o ímpar daquele filme,
de um poema de Kundera,
o ímpar de ser e ter muito.

Carrego essa sacola de unidades, singulares,
reconheço a paz de não saber,
de me permitir percorrer essas ruas,
atravessar esquinas
e deslizar em outras curvas.

De observar o chão que piso
e ter clareza em cada passo que dou,
do poder da escolha
e da beleza que — eu já disse, né? — ímpar.

Não sou mais a que espera ser escolhida.
Dois ou mais sorrisos me brilham a retina,
retribuo e sigo.

Nem tudo vem para ficar,
e também existe valor na chuva que é passageira
e no vento repentino
que bagunça meus cabelos.

Me permito sentir,
me permito ser,
me permito dar e receber.

Partilho do meu banquete com poucos,
e entendo que sim,
a vida corre,
o rio percorre a margem,
e os pássaros voam para longe do ninho.

Nunca foi tão bom ser ímpar
e carregar tantas incertezas,
porque nesse cruzamento entre uma esquina e outra,
tudo pode acontecer.

Então,
por que
não?

Um dia, quem sabe,
encontro outro ímpar
aonde 1 + 1
ainda será igual a 1.


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