Era meio-dia quando eu abandonei meus vícios, quando eu me comportei e te ofereci tudo que o vulgo decente deve propor.
Eu me despi dos meus poemas de sacanagem. Eu voltei às 19h para o jantar. Eu comprei um carro. Te fiz um jardim e, aos domingos, assisti aos seus filmes.
Eu redecorei a sala.
Te comprei flores e te fiz o jantar.
Adotei seus gatos e cachorros.
Eu coloquei meus discos em um canto e te levei para ver aquele musical brega.
Eu vesti blazer para ir a um bar.
Era sexta à noite, e os botecos da cidade me procuraram, e eu prontamente desliguei o telefone.
Posso dizer que esses momentos foram importantes porque você estava lá, e esse não é um texto de arrependimentos.
Mas eu não fui mais à praia e nem pintei um quadro.
Eu não li mais Bukowski.
Eu não escrevi.
Eu não fui mais ao cinema.
Nem maratonei os filmes do Tarantino.
Eu não fui mais tomar um café à tarde e ler meus livros do Stephen.
Eu não fui mais ao parque num domingo de manhã.
Eu joguei fora meus charutos e nunca mais coloquei para tocar aquele disco do Mingus.
Não comprei mais meu bourbon.
E nada disso foi culpa sua.
Eu, de bom grado, me anulei e não me notei.
Mas, mulher, eu não pertenço a esse lugar de mesas limpas e lustres bonitos.
Porque eu gosto do caos, eu gosto dos bêbados, putas e vagabundos.
Eu gosto dos botecos e de música podre.
Eu gosto dos que queimam, dos que não têm medo de arriscar, dos que desejam, se jogam e aceitam a queda, mesmo que debruçados numa mesa de bar, mas com um bom whisky.
Eu quero ver o mundo em chamas.
Eu quero a minha cama tão quente quanto o Katla.
Porque é no estrago que nos encontramos, que nos reconhecemos, e veja bem, isso sim faz sentido, afinal.
Tu disseste que Kerouac era um louco, e é dessa loucura que o mundo precisa.
"Porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo e, por fim, né, são aqueles que queimam como fabulosos fogos de artifício, explodindo como constelações."
Então o engano é meu.
Eu não sou mulher para tu, e tampouco acho que sou mulher de alguém ou para alguém.
Essa é minha maldição ou minha glória.
E há um consenso entre minha insanidade e sanidade: no final da noite, elas voltam chapadas e se fodem!
E é sempre uma bela noite!
acessei na hr certa... texto novo e de novo estou aki de queixo no chão... vc é muito talentosa
ResponderExcluirbisha vc é talentosa d++
ResponderExcluireu só posso dizer ..... CARALHO. QUE TEXTO FODA.
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